- 07:01
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Estive num ônibus lotado esses dias e acabei por ouvir a
conversa entre um senhor sentado atrás de mim e um menino. Ele dizia algo do
tipo: “você tem que estudar muito para ser alguém na vida, senão fica velho que
nem eu, tendo que carregar caixas pesadas até essas horas da tarde”. Na hora, até falou que “você tem que estudar muito menino, pra ser doutor, engenheiro,
médico, e ai ficar sentado no escritório, só mandando nos outros”.
Quando fui descer do ônibus, não me contive e fui conversar
com esse senhor. Falei que acidentalmente ouvi a conversa dele com a criança e
expliquei, carinhosamente, que não concordava com o que ele havia dito.
Acontece que acredito que ele devia valorizar mais o trabalho dele, pois toda
forma de trabalho é digna.
Acabou que ele ficou emocionado e me disse que talvez
estivesse errado com a forma que se expressou. E nisso eu fiquei emocionada de
ter feito esse momento acontecer.
Então hoje li uma matéria sobre Jones Yuri Amaral que, quando menino, decidiu trabalhar como pipoqueiro ao crescer. Ele foi contra tudo o que dizem nas
escolas, nas famílias, no imaginário popular... Afinal, como poderia uma
criança querer “tão pouco” pra sua vida?
Acontece que hoje ele é dono da Flavored Popcorn, que é uma rede de barraquinhas de pipocas com franquias por todo o País, e ganha um bom dinheiro com sua profissão dita como “não
convencional”. O que mais me assusta é reparar que, pra muita gente que eu
conheço, um trabalho desses não é sequer uma possibilidade. É motivo de descaso,
do tipo quando se fala “isso, não estuda, daí vai ser lixeiro quando crescer”. Sem
pensar o quanto o trampo do lixeiro é importante.
O que me lembra de uma música muito boa que ouvi esses dias, que divaga sobre como a moça do café influencia na produção - na verdade, uma ótima crítica, enfim. Vou deixar ela aqui para quem ler também se deliciar com mais uma ótima da nossa música brasileira.
Sim, toda forma de trabalho é digna.
- 04:09
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Aqui não é o lugar certo para escrever esse tipo de assunto, pois vai ficar realmente parecendo que é uma indireta. Mas acontece que isso é tão recorrente na minha vida que resolvi falar sobre - tanto pra desabafar, quanto pra ver se só eu passo por isso.
Acabei de ver em álbuns alheios de outra rede social um monte de fotos de reuniões familiares que participei. Fotos de minha autoria e que agora estão sem um pingo de reconhecimento. Sem, no mínimo, meus créditos autorais. Olha, nem vou entrar no mérito dos créditos para não me estressar também no âmbito jornalístico da situação toda, mas com certeza esse é um dos pontos que me revoltam. Afinal, hoje eu vejo que acabei “perdendo” de participar dos eventos para realizar as fotos. Foi meu trabalho, minha contribuição, e pelo menos por isso eu devia ser citada ali.
Se fosse só isso, estava bom. O que realmente me entristece é ver que todas as fotos em que apareci foram apagadas. Como que, fazendo isso, me tirassem de todas essas histórias, de todos esses momentos que considero importantes por terem acontecido em minha vida. Eventos em que, sim, fomos felizes, todos juntos e misturados. E que sim, EU estive presente ali: uma festa de noivado, uma ou outra missa especial, várias comemorações de aniversários, jantares, baladas, almoços, gincanas etc.
É muita falta de consideração apagar determinadas fotos apenas por que “ah, não tenho mais contato com essa pessoa, *vou excluir ela destes momentos*”. Sendo que, ao mesmo tempo: “vou manter todas as outras fotos que essa mesma pessoa tirou como lembrança”. Esse tipo de situação me magoa ao extremo, por mais que possa parecer que estou brigando por pouca coisa.
-Acontece que fotografia é algo sério para mim.
-Acontece que pretendo trabalhar com isso no futuro.
-Acontece que eu gosto de lembrar destes momentos, e sumirem comigo deles me faz pensar se eu realmente fui bem quista ali enquanto estive próxima.
-Acontece que, ao contrário do que devem pensar, tenho uma enorme consideração por estas pessoas e pelos momentos que vivemos juntos.
Então me pergunto: será besteira minha, afinal os outros parecem não ligar quando isso acontece com eles? Até quando me importarei com esse tipo de situação? Enfim.
- 07:53
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Eu acredito que tudo é uma questão de esforço, tudo pode ser melhorado com a quantidade de “horas empenhadas” que desprendemos seja pra lá o que for o intento. Por exemplo, ao escrever a primeira oração desta frase, pensei em várias formas de reeditá-la: “acredito que tudo é uma questão de esforço” – o verbo já está conjugado, fica subentendido o sujeito da frase (no português). Mas depois melhorei um pouco mais para “tudo é uma questão de esforço” – pois, se escrevo uma frase sem citar outras pessoas, falo minha opinião sobre o tema, logo, não preciso colocar na frase “eu acredito”, “eu creio” ou o pior, “eu acho”.
No parágrafo anterior demonstrei que o meu esforço, minhas “horas empenhadas” estudando como escrever bem efetivamente me faz melhorar minha redação. Conforme falam tanto na faculdade, ‘escrever é cortar palavras’. Mas não é simples assim, tenho que cortá-las mantenho o significado das frases. São os pequenos macetes que aprendi durante meus estudos e que, estranhamente, sempre recordo fácil – ao contrário de vários outros ensinamentos que nunca lembro, e que talvez fossem mais úteis no meu dia-a-dia. Afinal, a vida não é feita só de macetes.
Tenho muito que aprender ainda, mas algumas coisas precisam ser prioridade, o que assumo não ter ânimo para fazer - nos últimos dois anos, no mínimo. Por exemplo, preciso urgentemente continuar investindo horas no meu ensino de português e inglês, aprender a conduzir carro/moto para situações de emergência, e fazer algumas sessões de fonoaudiologia. Sei que preciso investir nestas áreas, mas quando começo a estudar e procurar a respeito, me saboto e nunca chego ao fim.
É difícil falar sobre isso, pois se trata de algo muito particular e eu considero uma característica vergonhosa. Demorei anos para assumir a mim mesma – e agora publicamente por meio desta postagem- que, se eu aprendo uma pequena parte do que preciso sobre qualquer tema, se me envolvo mesmo que rapidamente em algo, já me satisfaço e deixo de lado, mesmo querendo continuar.
Exemplificando: tenho esse blog e meu intento inicial era postar pelo menos uma vez por semana. Escrevo, publico e fico feliz, prometo para mim mesma que continuarei com frequência, mas, quando vejo, já se passaram dois meses e nada fiz a respeito. Isso é muito frustrante e me faz mal.
Assumir esse meu defeito deve ser parte da solução, pois agora tenho um princípio, um porto, que me serve de base: a Bárbara-antiga, que não se empenha em nada direito e que tinha resultados meia boca sempre e a Bárbara-nova, que quer melhorar como ser humano, a que quer crescer e adquirir raízes sólidas de conhecimento, digamos assim.
Quando escrevi o título desta postagem acabei por resumir com exatidão o que queria dizer – e sim, é difícil fazer títulos tão certeiros assim, quem escreve sabe. Talvez mais amadurecida depois de levar pancadas na cabeça durante 22 anos, hoje posso assumir que realmente estudei pelo raso, que peguei os atalhos mais fáceis e agora me sinto sem nada em profundidade.
Sim, eu, que sempre argumentei tão bem e acabava por influenciar quem estava por perto, acabo por me sentir burra por não conseguir interpretar textos mais acadêmicos. Burra por não conhecer nenhum princípio de qualquer teoria sobre qualquer tema. Me sinto burra muitas vezes, muitas vezes e todos os dias. E, com isso, me sinto inútil, surfando no ápice do “só sei que nada sei” socrático.
Esta semana conclui que estou cinco anos atrasada na minha vida e dói falar isso. Perceber que deveria fazer todo o ensino médio novamente, no mínimo, é vergonhoso. Não aprendi o básico do que me foi passado, não dei atenção para o que era de fato importante e não conclui muitos dos livros que me deram para estudar. Sim, me DERAM, e eu não ESTUDEI. De graça.
E, ao assumir tudo isso, me resta duas opções agora: manter meu posicionamento antigo ou mudar. E quero mudar, preciso mudar urgentemente! Estou como o peixe que sai da água e se rebate querendo voltar à ela, me afogando, morrendo em dúvidas. Será que tudo o que fiz foi tão errado assim, ou agora comecei a ser exigente demais?
- 06:13
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