- 07:31
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Eu acredito que tudo é uma questão de esforço, tudo pode ser melhorado com a quantidade de “horas empenhadas” que desprendemos seja pra lá o que for o intento. Por exemplo, ao escrever a primeira oração desta frase, pensei em várias formas de reeditá-la: “acredito que tudo é uma questão de esforço” – o verbo já está conjugado, fica subentendido o sujeito da frase (no português). Mas depois melhorei um pouco mais para “tudo é uma questão de esforço” – pois, se escrevo uma frase sem citar outras pessoas, falo minha opinião sobre o tema, logo, não preciso colocar na frase “eu acredito”, “eu creio” ou o pior, “eu acho”.
No parágrafo anterior demonstrei que o meu esforço, minhas “horas empenhadas” estudando como escrever bem efetivamente me faz melhorar minha redação. Conforme falam tanto na faculdade, ‘escrever é cortar palavras’. Mas não é simples assim, tenho que cortá-las mantenho o significado das frases. São os pequenos macetes que aprendi durante meus estudos e que, estranhamente, sempre recordo fácil – ao contrário de vários outros ensinamentos que nunca lembro, e que talvez fossem mais úteis no meu dia-a-dia. Afinal, a vida não é feita só de macetes.
Tenho muito que aprender ainda, mas algumas coisas precisam ser prioridade, o que assumo não ter ânimo para fazer - nos últimos dois anos, no mínimo. Por exemplo, preciso urgentemente continuar investindo horas no meu ensino de português e inglês, aprender a conduzir carro/moto para situações de emergência, e fazer algumas sessões de fonoaudiologia. Sei que preciso investir nestas áreas, mas quando começo a estudar e procurar a respeito, me saboto e nunca chego ao fim.
É difícil falar sobre isso, pois se trata de algo muito particular e eu considero uma característica vergonhosa. Demorei anos para assumir a mim mesma – e agora publicamente por meio desta postagem- que, se eu aprendo uma pequena parte do que preciso sobre qualquer tema, se me envolvo mesmo que rapidamente em algo, já me satisfaço e deixo de lado, mesmo querendo continuar.
Exemplificando: tenho esse blog e meu intento inicial era postar pelo menos uma vez por semana. Escrevo, publico e fico feliz, prometo para mim mesma que continuarei com frequência, mas, quando vejo, já se passaram dois meses e nada fiz a respeito. Isso é muito frustrante e me faz mal.
Assumir esse meu defeito deve ser parte da solução, pois agora tenho um princípio, um porto, que me serve de base: a Bárbara-antiga, que não se empenha em nada direito e que tinha resultados meia boca sempre e a Bárbara-nova, que quer melhorar como ser humano, a que quer crescer e adquirir raízes sólidas de conhecimento, digamos assim.
Quando escrevi o título desta postagem acabei por resumir com exatidão o que queria dizer – e sim, é difícil fazer títulos tão certeiros assim, quem escreve sabe. Talvez mais amadurecida depois de levar pancadas na cabeça durante 22 anos, hoje posso assumir que realmente estudei pelo raso, que peguei os atalhos mais fáceis e agora me sinto sem nada em profundidade.
Sim, eu, que sempre argumentei tão bem e acabava por influenciar quem estava por perto, acabo por me sentir burra por não conseguir interpretar textos mais acadêmicos. Burra por não conhecer nenhum princípio de qualquer teoria sobre qualquer tema. Me sinto burra muitas vezes, muitas vezes e todos os dias. E, com isso, me sinto inútil, surfando no ápice do “só sei que nada sei” socrático.
Esta semana conclui que estou cinco anos atrasada na minha vida e dói falar isso. Perceber que deveria fazer todo o ensino médio novamente, no mínimo, é vergonhoso. Não aprendi o básico do que me foi passado, não dei atenção para o que era de fato importante e não conclui muitos dos livros que me deram para estudar. Sim, me DERAM, e eu não ESTUDEI. De graça.
E, ao assumir tudo isso, me resta duas opções agora: manter meu posicionamento antigo ou mudar. E quero mudar, preciso mudar urgentemente! Estou como o peixe que sai da água e se rebate querendo voltar à ela, me afogando, morrendo em dúvidas. Será que tudo o que fiz foi tão errado assim, ou agora comecei a ser exigente demais?
- 06:13
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Pensamentos depois de uma longa conversa com um Sr. não muito simpático - fila da UBS Silvia Regina, dia 12/09/2012.
- De que adianta saber das leis, saber dos seus direitos, julgar todos ao redor, ler 6, 7, 15 livros por mês, ter orgulho de se intitular crítico da sociedade... Mas não fazer a diferença para nem uma só pessoa?
- Do que adianta reclamar das eleições, do ECA, dos candidatos, dos políticos, da (falta de incentivo na) Educação do país, da corrupção, da ética... Mas se orgulhar de ser "aposentado desde 97", sendo que ainda não tem mais que 60 anos?
- O que adianta chamar "o povo" de alienado, esquecendo que você tabém faz parte desse povo?
- O que você realmente faz para transformar o sistema?
- Você não vê que continuar nesse ponto comum, nesse lugar vago, se achando O Intelectuado, faz de você um demagogo?
- Que a tua compania se torna desagradável?
- Que ninguém vai bater palmas (muito menos te elogiar) por você ser tão... Crítico?
O pior é saber quanto tempo demorei para entender tudo isso.
- 10:11
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Algum tempo atrás, disse que tinha um blog de cabeceira. Vim atualizar a situação, pois agora tenho vários. Um que faço questão de entrar todos os dias é o Escreva Lola Escreva. Ele é de autoria de Lola Aronovish, professora da UFC. O que mais admiro nela, entre tantas qualidades, é a coerência: ela escreve desde 1998, e não vi nenhum post dela se contradizendo, mesmo com tanto tempo de postagens.
Um dos temas que ela mais abrange é o feminismo, causa que já aderi a tempos, mas ainda não milito muito, confesso. E hoje, dia 26/05/2012, irão acontecer várias manifestações pelo país, chamadas "Marcha das Vadias". Se trata de um movimento de protesto pelo que um policial falou numa universidade canadense, acredito em 2011, "Se as mulheres quisessem deixar de ser estupradas, elas deveriam parar de se vestir como vadias". São movimentos, essencialmente, feministas - por mais que tenha gente que participe e fale que não o é. Tem até o vídeo para divulgar a marcha de Brasília, muito bom, que você pode ver aqui.
Em Campo Grande/MS, tal marcha aconteceu um pouco antecipada, no dia 10/03/2012, e teve participação de 100 mulheres, aproximadamente (veja a matéria do G1 e fotos aqui). Não pude ir, pois trabalho neste horário - o lado ruim de trabalhar sábado pelas manhãs é que não posso participar de coisas assim-, mas deixo meu total apoio às pessoas que foram participar e às que vão hoje nas demais cidades.
Nessa postagem, a Lola recomendou cinco vídeos para quem procura algumas dicas para entender o que é o feminismo. Vi todos, e irei postar minhas considerações a respeito de cada um. São dois documentários, um vídeo, um comercial e um curta, ótimas opções para quem estiver sem muito o que fazer para esse final de semana e estiver em busca de conhecimento na causa feminista.
O primeiro é o documentário "Miss Representation" (2011). Tem 86 minutos de duração e foi idealizado a partir do momento em que a diretora e roteirista, Jennifer Siebel Newson, soube que estava grávida de um bebe do sexo feminino. Ela se pôs a pensar sobre o que iria pela frente na vida da garota, e não se viu satisfeita com o que estava por vir.
Vale muito a pena assistir. Conta o ponto de vista da mídia estadunidense de colocar a mulher em foco, desde simples propagandas a campanhas eleitorais. Nunca fui muito engajada com a causa feminista, mas depois de ver este documentário comecei a ver o quanto isto é real para nossa sociedade, campo grandenses inclusos. Reparei mais na postura de várias pessoas ao meu redor, amigxs, colegas, parentes, até de desconhecidxs de cada dia nas viagens de ônibus: uma grande quantidade de pessoas pensam de forma machista, pura e simplesmente. Quando pergunto, não sabem justificar porquê pensam dessa maneira, falam que "sempre foi assim".
Isso me lembra de um fato que aconteceu comigo no mês passado. Ainda não estudei o suficiente para manter um debate forte, em relação ao feminismo, então algumas acabo por deixar passar - ao contrário de quando falo sobre vegetarianismo. Este foi um caso que não dei uma resposta a altura, acredito. Foi o seguinte:
Estava eu no meu trabalho, numa das míseras sextas-feiras que tenho que ficar até mais tarde, e vieram me perguntar: "Quando que você vai se vestir que nem mulher de novo?". A origem do questionamento foi porque sempre vou trabalhar de 'jeans x camiseta x allstar', mas, no dia anterior fui com um vestido - nada de demais, preto básico na altura dos joelhos.
Então quer dizer que 'só me visto de mulher' quando coloco uma saia? E no restante do tempo, sou o que? Um boneco de ar com vida própria? No momento fiquei sem resposta, então disse, apenas, que "acordo mulher todos os dias. Me visto como mulher todos os dias. Trabalho, estudo, ando pra cima e pra baixo como mulher todos os dias", e que não tinha entendido o que a pessoa queria dizer.
Acredito que peguei leve, poderia dizer muito mais, mas no momento me faltou argumentos. E você, o que teria respondido?
(Depois continuarei a falar sobre os outros vídeos citados. Juro.)
Um dos temas que ela mais abrange é o feminismo, causa que já aderi a tempos, mas ainda não milito muito, confesso. E hoje, dia 26/05/2012, irão acontecer várias manifestações pelo país, chamadas "Marcha das Vadias". Se trata de um movimento de protesto pelo que um policial falou numa universidade canadense, acredito em 2011, "Se as mulheres quisessem deixar de ser estupradas, elas deveriam parar de se vestir como vadias". São movimentos, essencialmente, feministas - por mais que tenha gente que participe e fale que não o é. Tem até o vídeo para divulgar a marcha de Brasília, muito bom, que você pode ver aqui.
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| Marcha das Vadias - CG/MS Foto por Tatiana Queiroz - G1MS |
Nessa postagem, a Lola recomendou cinco vídeos para quem procura algumas dicas para entender o que é o feminismo. Vi todos, e irei postar minhas considerações a respeito de cada um. São dois documentários, um vídeo, um comercial e um curta, ótimas opções para quem estiver sem muito o que fazer para esse final de semana e estiver em busca de conhecimento na causa feminista.
O primeiro é o documentário "Miss Representation" (2011). Tem 86 minutos de duração e foi idealizado a partir do momento em que a diretora e roteirista, Jennifer Siebel Newson, soube que estava grávida de um bebe do sexo feminino. Ela se pôs a pensar sobre o que iria pela frente na vida da garota, e não se viu satisfeita com o que estava por vir. Vale muito a pena assistir. Conta o ponto de vista da mídia estadunidense de colocar a mulher em foco, desde simples propagandas a campanhas eleitorais. Nunca fui muito engajada com a causa feminista, mas depois de ver este documentário comecei a ver o quanto isto é real para nossa sociedade, campo grandenses inclusos. Reparei mais na postura de várias pessoas ao meu redor, amigxs, colegas, parentes, até de desconhecidxs de cada dia nas viagens de ônibus: uma grande quantidade de pessoas pensam de forma machista, pura e simplesmente. Quando pergunto, não sabem justificar porquê pensam dessa maneira, falam que "sempre foi assim".
Isso me lembra de um fato que aconteceu comigo no mês passado. Ainda não estudei o suficiente para manter um debate forte, em relação ao feminismo, então algumas acabo por deixar passar - ao contrário de quando falo sobre vegetarianismo. Este foi um caso que não dei uma resposta a altura, acredito. Foi o seguinte:
Estava eu no meu trabalho, numa das míseras sextas-feiras que tenho que ficar até mais tarde, e vieram me perguntar: "Quando que você vai se vestir que nem mulher de novo?". A origem do questionamento foi porque sempre vou trabalhar de 'jeans x camiseta x allstar', mas, no dia anterior fui com um vestido - nada de demais, preto básico na altura dos joelhos.
Então quer dizer que 'só me visto de mulher' quando coloco uma saia? E no restante do tempo, sou o que? Um boneco de ar com vida própria? No momento fiquei sem resposta, então disse, apenas, que "acordo mulher todos os dias. Me visto como mulher todos os dias. Trabalho, estudo, ando pra cima e pra baixo como mulher todos os dias", e que não tinha entendido o que a pessoa queria dizer.
Acredito que peguei leve, poderia dizer muito mais, mas no momento me faltou argumentos. E você, o que teria respondido?
(Depois continuarei a falar sobre os outros vídeos citados. Juro.)
- 09:04
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Um dos males que sofro é só viajar com desejar coisas grandes: se começo a escrever, quero ser uma grande escritora, se começo a pintar, quero ser pintora profissional, se vou num estúdio de tatuagem, já quero tatuar os outros. Mas não é só nestas situações que eu realmente tento abraçar o mundo com as pernas, sou assim em muitos assuntos: quero mudar quem gosta de funk, quem é preconceituoso com gay, quem é desatento com a criação dos filhos, dos animais, do modo que se alimenta, com qualquer aspecto que eu estude e vejo que posso ensinar os outros a ter uma vida melhor. Ou seja, eu gosto mesmo de ser uma entrona.
Antes falaria sobre isso com alguém que confiasse, alguém que acreditasse ser bom ouvinte, alguém que me desse atenção, tanto faz. Mas todas as pessoas que antes tinham estas características se foram, se cansaram desse meu jeito ridículo de ser. Elas se empanturraram dessa garota que tentava mandar e desmandar em suas vidas, eles largaram mão dessa menina/mulher volúvel que só vendo para entender quão ruim é.
Antes falaria sobre isso com alguém que confiasse, alguém que acreditasse ser bom ouvinte, alguém que me desse atenção, tanto faz. Mas todas as pessoas que antes tinham estas características se foram, se cansaram desse meu jeito ridículo de ser. Elas se empanturraram dessa garota que tentava mandar e desmandar em suas vidas, eles largaram mão dessa menina/mulher volúvel que só vendo para entender quão ruim é.
- 12:40
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