sábado, 26 de maio de 2012

Quando que você vai se vestir que nem mulher de novo?

Algum tempo atrás, disse que tinha um blog de cabeceira. Vim atualizar a situação, pois agora tenho vários. Um que faço questão de entrar todos os dias é o Escreva Lola Escreva. Ele é de autoria de Lola Aronovish, professora da UFC. O que mais admiro nela, entre tantas qualidades, é a coerência: ela escreve desde 1998, e não vi nenhum post dela se contradizendo, mesmo com tanto tempo de postagens. 


Um dos temas que ela mais abrange é o feminismo, causa que já aderi a tempos, mas ainda não milito muito, confesso. E hoje, dia 26/05/2012, irão acontecer várias manifestações pelo país, chamadas "Marcha das Vadias". Se trata de um movimento de protesto pelo que um policial falou numa universidade canadense, acredito em 2011, "Se as mulheres quisessem deixar de ser estupradas, elas deveriam parar de se vestir como vadias". São movimentos, essencialmente, feministas - por mais que tenha gente que participe e fale que não o é. Tem até o vídeo para divulgar a marcha de Brasília, muito bom, que você pode ver aqui.


Marcha das Vadias - CG/MS
Foto por Tatiana Queiroz - G1MS
Em Campo Grande/MS, tal marcha aconteceu um pouco antecipada, no dia 10/03/2012, e teve participação de 100 mulheres, aproximadamente (veja a matéria do G1 e fotos aqui). Não pude ir, pois trabalho neste horário - o lado ruim de trabalhar sábado pelas manhãs é que não  posso participar de coisas assim-, mas deixo meu total apoio às pessoas que foram participar e às que vão hoje nas demais cidades.


Nessa postagem, a Lola recomendou cinco vídeos para quem procura algumas dicas para entender o que é o feminismo. Vi todos, e irei postar minhas considerações a respeito de cada um. São dois documentários, um vídeo, um comercial e um curta, ótimas opções para quem estiver sem muito o que fazer para esse final de semana e estiver em busca de conhecimento na causa feminista.


O primeiro é o documentário "Miss Representation" (2011). Tem 86 minutos de duração e foi idealizado a partir do momento em que a diretora e roteirista, Jennifer Siebel Newson, soube que estava grávida de um bebe do sexo feminino. Ela se pôs a pensar sobre o que iria pela frente na vida da garota, e não se viu satisfeita com o que estava por vir. 


Vale muito a pena assistir. Conta o ponto de vista da mídia estadunidense de colocar a mulher em foco, desde simples propagandas a campanhas eleitorais. Nunca fui muito engajada com a causa feminista, mas depois de ver este documentário comecei a ver o quanto isto é real para nossa sociedade, campo grandenses inclusos. Reparei mais na postura de várias pessoas ao meu redor, amigxs, colegas, parentes, até de desconhecidxs de cada dia nas viagens de ônibus: uma grande quantidade de pessoas pensam de forma machista, pura e simplesmente. Quando pergunto, não sabem justificar porquê pensam dessa maneira, falam que "sempre foi assim". 


Isso me lembra de um fato que aconteceu comigo no mês passado. Ainda não estudei o suficiente para manter um debate forte, em relação ao feminismo, então algumas acabo por deixar passar - ao contrário de quando falo sobre vegetarianismo. Este foi um caso que não dei uma resposta a altura, acredito. Foi o seguinte: 


Estava eu no meu trabalho, numa das míseras sextas-feiras que tenho que ficar até mais tarde, e vieram me perguntar: "Quando que você vai se vestir que nem mulher de novo?". A origem do questionamento foi porque sempre vou trabalhar de 'jeans x camiseta x allstar', mas, no dia anterior  fui com um vestido - nada de demais, preto básico na altura dos joelhos.


Então quer dizer que 'só me visto de mulher' quando coloco uma saia? E no restante do tempo, sou o que? Um boneco de ar com vida própria? No momento fiquei sem resposta, então disse, apenas, que "acordo mulher todos os dias. Me visto como mulher todos os dias. Trabalho, estudo, ando pra cima e pra baixo como mulher todos os dias", e que não tinha entendido o que a pessoa queria dizer. 
Acredito que peguei leve, poderia dizer muito mais, mas no momento me faltou argumentos. E você, o que teria respondido?


(Depois continuarei a falar sobre os outros vídeos citados. Juro.)





quinta-feira, 24 de maio de 2012

Casa de Ensaio comemora 16 anos ao som de rock


(texto totalmente escrito pela assessoria da Casa)

A Casa de Ensaio, organização social que atua na sensibilização e transformação de crianças e adolescentes em vulnerabilidade por meio da arte, completa no mês de maio 16 anos de atividades na cidade de Campo Grande (MS). Para comemorar a data, a instituição realiza no próximo domingo (27/05) um grande show em sua sede, a partir das 15 horas.

O show é beneficente e reúne artistas, parceiros e amigos da Casa. A intenção é oferecer ao público atrações de qualidade para celebrar o aniversário da organização e também arrecadar fundos para garantir a manutenção das atividades desenvolvidas pela Casa. Irão se apresentar no show as bandas Jennifer Magnética, Rivers e Professor Lao, além da participação especial do mágico Rick Thibau, entre outras atrações.

Juliana Gurgel, coordenadora pedagógica da Casa de Ensaio, ressalta a importância do trabalho desenvolvido pela organização. “Oferecemos às 110 crianças inscritas vivências nas linguagens artísticas e incentivamos o posicionamento crítico de cada uma delas perante o mundo. Acreditamos que a arte transforma, por apresentar novos caminhos e por despertar habilidades nos alunos”, afirma. No entanto, para continuar desenvolvendo seu trabalho, a Casa enfrenta um desafio contínuo em busca de patrocínios e parcerias. “O show é uma das diversas ações e eventos que estamos realizando a fim de arrecadar recursos para a Casa”, completa Juliana.

Para assistir ao show e contribuir com a Casa de Ensaio, basta adquirir um ingresso na sede da organização, que fica na Rua Padre João Crippa, 1699, centro. Os ingressos estão sendo vendidos a R$5,00 (antecipado) e R$10,00 (no dia do evento). Também serão vendidos lanches e bebidas no local. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3384-4843.

SERVIÇO
Show de aniversário da Casa de Ensaio
Com Jennifer Magnética, Rivers, Professor Lao e Rick Thibau
Dia 27 de maio, a partir das 15 horas
Rua Padre João Crippa, 1699, centro
Ingressos antecipados: R$5,00
Ingressos no dia do evento: R$10,00
Informações: (67) 3384-4843

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Rock' a Palooza | CG/MS

Dia 19/05/2012 foi muito especial. Sai com alguns amigos em um barzinho "novo" da cidade. O Lugar se chama Hangar Live Music, localizado na Rua Trindade , 413 - início da Rua Rui Barbosa, CG/MS.

A atração da noite era o Rock'a Palooza, cover do Festival Lollapalooza, que ocorreu em SP nos dias 07 e 08/04/2012. No festival original, fui no dia que iria tocar O Rappa, Foo Fighters e Joan Jett bandas que eu adoro, entre outras atrações. Aproveitei também para conhecer algumas opções veganas de SP, fato que ainda tenho que postar por aqui.

Já aqui em CG, o cover do Foo Fighters foi feito pela banda Good Grief e o da Joan Jett com a vocal da nova banda campo-grandense Black Tie. Valeu a pena, apesar do atraso inicial. 

Segue umas fotinhas :)


quinta-feira, 17 de maio de 2012

É diferente? Vá atender o telefone!


Meu amigo do serviço, um dos caras que mais confio por aqui, e que, acreditava eu, não classificava as pessoas pela aparência, veio me falar: "imagina se você tivesse entrado aonde trabalhamos com 'esse meu corte de cabelo' na época? Não teriam te dado nenhuma responsabilidade! Iria, provavelmente, ficar atendendo o telefone"(sic).


Bárbara/2010:  Essa merece
 ter responsabilidades.
Primeiro me espantei, pois ele é um dos caras mais "alternativos" do meu setor. Gosta de se declarar alternativo, gosta de dizer que gosta de coisas alternativas... Ou seja, não iria esperar logo dele um pensamento desses. E, quando fui dizer que não concordava com o que ele disse, que o mundo já está muito evoluido para pensarmos desse jeito, todos os outros homens (oh, coincidencia, todos brancos e heterossexuais) interviram dizendo que o rapaz estava correto.


Me julguem de ingênua e inocente, e me falem o quanto quiser: que não vou conseguir emprego, que a sociedade é assim mesmo, que não adianta pensar diferente. Digam o que vier a cabeça. Desta vez sou eu que falo que não vou mudar minha opinião, que é a seguinte:


Bárbara/2012:
 Essa é uma vândala,
 que merece "só atender o telefone".
Acredito, veementemente, que as pessoas não devem ser classificadas por seu corte de cabelo ou estilo de se vestir, nem por sua quantidade de piercings e/ou tatuagens. Ser diferente não significa ser pior, ou ser menos merecedor de algo. 
E se, no futuro, eu tentar entrar em algum lugar que não me aceitem meramente por minha aparência, não era para eu entrar ali. E, caso eu queira mesmo entrar em um grupo com pessoas que tenham o hábito de discriminar, vai ser para mudar a mente de todos que estiverem me "pré-conceituando". 


Afinal, é ingenuidade demais acreditar que as pessoas mereçam ser aceitas do modo que são? É ingênuidade considerar que o CORTE DE CABELO não muda caráter? É normal julgar que, se um rapaz entrasse aqui com um moicano (ou rastafari, ou careca, ou qualquer coisa fora do comum), ele não teria capacidade de assumir uma responsabilidade?


Nisso fico pensando até quando vamos continuar repercurtindo esses preconceitos da época dos meus tata(...)ravós. Sim, eu sei que posso sofrer discriminação por conta da minha aparência no futuro (pois de pessoas pré-conceituosas o mundo ainda está cheio) mas vou sair por ai falando que concordo com isso? Que também penso isso? Lógico que não: vou ser a representação do que eu espero do mundo. E eu espero um mundo melhor, onde as pessoas NÃO sejam julgadas pela aparência. Ou melhor: onde as pessoas não sejam julgadas e ponto.


Ah, quase esqueci de um ponto importante para ser tocado ainda neste post:


Conte-me mais sobre sua grande carreira profissional e humanista, com ênfase no quanto você acredita ser a pessoa que atende o telefone mais ou menos digna de ter responsabilidades. Ou que a pessoa que atende o telefone já não tenha responsabilidades.


Meu cabelo mudou, mas meu caráter continua o mesmo. E você? Que tem o mesmo corte desde os 5 anos de idade e tem seu caráter cada vez pior?

quinta-feira, 15 de março de 2012

Rodo cotidiano

Tive uma aula de humanização hoje a tarde. 


Estava em um ônibus indo para a faculdade, devidamente sentada, reclamando da chuva que "veio para atrasar meu tempo já contado de chegar na UFMS". Por conta dela, peguei um ônibus que para na frente de casa, com intuito de dar a volta no shopping e descer para o morenão (quem é de CG entende) e nem sabia que o 061 dava tantas voltas antes de chegar no terminal. Enfim, estava ali, reclamando da minha vidinha corrida, sem tempo até pra tomar uma ducha antes de sair de casa, escutando música e me preparando para ler uma revista qualquer, velhas companheiras de longas distâncias. 


O banco do meu lado estava vazio, e uma senhora veio sentar ali. Escutando música, não reparei de primeira o que aconteceu. Só sei que a mulher começou a gritar, chorando, com uma dor terrível que a deixou quase convulsionando (essa palavra existe?), logo ali, do meu lado. Não sabia o que tinha acontecido, mas de pronto um senhor veio, pegou as sacolas que ela carregava para por ao lado, enquanto outro pegou seus cadernos e ajudou a sentar. Tentei ajudar também, colocando sua bolsa no meu colo. E, por último, um guri, talvez mais novo que eu, veio socorre-la com um pouco de seu conhecimento adquirido em um curso de primeiros socorros. "Vou tentar medicina no final do ano", me falou depois.
 

Ele apontou o joelho da senhora, quando viu que eu nada entendia do que estava ocorrendo: a articulação tinha dado uma volta de, no mínimo, 90° para a direita, como vemos em lutas de vale tudo e jogos de futebol. Não sei como ela conseguiu fazer aquilo tudo só tentando sentar em um banco, mas senti a dor em mim. Tentamos acudi-la, acalmando e mantendo-a consciente, mesmo sem muitos resultados. Nisso, liguei para o SAMU, o motorista para o corpo de bombeiros... E nada de uma ambulância chegar. O guri, futuro-estudante-de-medicina-se-tudo-der-certo, imobilizou a senhora, enquanto uma outra mulher e eu ficamos ali, conversando com ela.

Logo depois chegou outro  ônibus para levar quem estava dentro deste, já que tivemos que parar no meio do trajeto por conta da passageira ferida. Nada de ambulância mesmo 15 minutos depois e, indigne-se, estávamos na frente da prefeitura, na avenida mais movimentada da cidade - ou seja, nada explica tanta demora. 


Depois de desejar melhoras para a senhora machucada, tivemos (o guri, a outra mulher e eu) de deixar o veículo para, finalmente, seguir nosso trajeto em outra condução. Nisso, como de praxe das viações que muito respeitam seus clientes, as pessoas de dois ônibus (o parado em que estava e o que veio depois) tiveram que se acotovelar em um só: muito suor, cheiro de pessoas molhadas de chuva e as janelas fechadas, vestígios das pessoas que "se esquecem" de reabri-las quando a garoa passa.


 Quando era mais nova, costumava brincar/falar que "abriram as portas do asilo" quando entrava em um ônibus com muitos idosos (sim hoje eu sei que esse tipo de "brincadeira" é preconceito, chamado gerontofobia). Depois, adolescente, aprendi a ceder o banco quando estava sentada para eles, por gentileza e respeito. O 2º ônibus estava lo-ta-do, com muitos deles, e não preciso dizer (mas vou) que a maioria dos idosos estava em pé, enquanto muitos jovens sentados fingiam não os ver - ou dormir. 


Depois de passar por tudo isso que fui descobri estar em um ônibus que simplesmente dá varias voltas pra direção contrária do meu rumo e,  cansada, suada e fedendo, decidi que a aula de hoje teria que ficar para outro dia. Desci no próximo ponto, o que, coincidentemente, era bem próximo do ponto em que subi no ônibus uma hora antes, e me inspirei para escrever agora estes momentos que passei, mas não porque achei interessante para escrever. Se lembra que disse ter tido uma aula de humanização? Na verdade, 'menti'. Não foi uma aula de atitudes humanas, e sim de como desrespeitar o próximo. 


Explico:


- No primeiro ônibus, enquanto a senhora com o joelho deslocado guinchava de dor e se afogava em lágrimas, -tirando a outra mulher, o guri e eu - ninguém mais se importou, motorista incluso. Ninguém mais perguntou se ela precisava de ajuda, e sim fizeram o "contrário": reclamaram de o ônibus ter que parar, reclamaram dos próprios atrasos, falaram mal da pobre coitada com o joelho fodido. 


- No segundo ônibus, só para dar um exemplo, um senhor de muletas se equilibrava em meio a multidão. Em determinada curva, sua muleta caiu no meu calcanhar e, de tão cheio que estava o ônibus, não consegui nem abaixar para ajudá-lo a erguê-la, outro rapaz que o fez. Uma senhora idosa teve que se segurar em mim para não cair quando o veículo acelerou, e várias outras se encontravam na mesma situação. 


Se eu já estava indignada pelo descaso dos outros seres humanos (os ditos racionais e possuidores do tal polegar separado que os fazem dignos de ser o centro, o pico do antropocentrismo) com a senhora machucada do primeiro ônibus que entrei, o segundo ônibus, com essa mistura de lotação E descaso, me enraiveci em dobro. A vontade que tive não  era de faltar apenas a faculdade, mas sim faltar ao resto da humanidade, parar de viver em sociedade para não ter que passar por isso de novo. COMO os outros podem ser tão apáticos? Como a dor do próximo, o a deficiência do próximo, ou até a idade do próximo pode ainda nos deixar indiferentes? 


Parem tudo, eu quero descer. Me nego a aceitar que não existe uma migalha de bondade nas pessoas ao redor. Um pouco de empatia ou seja lá qual for o nome desse sentimento que me aflora no menor contato que tenho com outros seres vivos. Repito: seres vivos, e não apenas humanos. Me recuso a acreditar que vamos continuar tolerantes ao sofrimento alheio, apenas porque nós estamos bem e é só isso que interessa. Por que nossos filhos estão bem, porque nossos amados estão bem, e "não" temos o dever de ajudar quem está na pior, afinal, eles "não correram atrás de serem melhores na vida" e argumentos do gênero. 



EU não vou ser só isso. E, se você ai também quer ser mais, me ajude. Me ajude naquela senhora ferida dentro de um ônibus. Se não souber como ajudar, tente acalmá-la, já é uma mão na roda. Me ajude no idoso de muletas sem um banco para se apoiar melhor. Me ajude nas ONGs que tanto precisam de nossa colaboração. Ame seus próximos, faça a diferença. 

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